Celebração da vida
Diretor: Nós da Escola Municipal Lourdes Ferreira de Campos e Márcio
Caulino Soares, acreditamos que: Celebrar a Páscoa é celebrar a vida!
A vida dos alunos, responsáveis, professores, funcionários e
diretores.
Este é o motivo de nossa celebração, afinal, Cristo venceu a morte!
Todos: A vida é o motivo de nossa celebração!
Aluno: “Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só;
mas, se morrer, produz muito fruto” (João 12.24)
Funcionários: Estamos reunidos para celebramos em nome de Deus, que é
o Deus da vida, de Jesus Cristo, que lutou pela vida, em abundância e
que ressuscitou para a vida.
Professor: A morte é um realidade cruel hoje em dia. Se abrirmos o
jornal, se ligarmos a TV, se sairmos na rua, lemos violência e morte,
vemos violência e morte, sofremos violência e morte. Sem terra, sem
teto, sem emprego, sem roupa, sem dignidade, sem comida... A vida foi
roubada e a morte parece que impera. Nós, muitas vezes, nos escondemos
no conforto do nosso lar, no aconchego de nossa comunidade e na
segurança do nosso emprego, e esquecemos da realidade de morte que nos
cerca. Lemos a morte, vemos a morte, sofremos com a morte, e nos
conformamos. É assim mesmo, o que vamos fazer? Como os discípulos, que
caminhavam para Emaús, nós apenas conseguimos ler os sinais de morte,
apenas conseguimos ver que a morte é que impera, e apenas conseguimos
sofrer com ela. Estamos frustrados porque, afinal, nós esperávamos
VIDA, nós queríamos VIDA, e parece que a cada dia, a morte só aumenta,
a violência e o perigo, o desrespeito e discriminação, a pobreza e a
fome, as guerras, só aumentam. Como os discípulos, nós caminhamos de
cabeça baixa, chorando a morte, lamentando a perda.
Todos: Dizemos Não a morte e sim a vida
Equipe técnica: Diante da situação de morte, Jesus vem até nós e nos
diz que a morte não é a última palavra, mas que é pela Vida que
devemos lutar. Como o trigo, que estava morto e enterrado, a Vida pode
nascer se nós tivermos a coragem de semear. A nossa luta é a semente
que faz brotar a vida mesmo quando tudo parece lembrar a morte. Se
hoje nós celebramos o fato de que Jesus venceu a morte, nós celebramos
principalmente a sua luta em favor da vida, uma luta que deve ser a
nossa luta. Não podemos ficar de cabeça baixa o tempo todo, apenas
chorando diante da desgraça. Precisamos seguir o exemplo daquele que
venceu a morte com a vida, e andar pelas vilas e povoados, libertar as
pessoas oprimidas, aceitar as excluídas, proclamar um novo tempo. Por
isso, nos reunimos para celebrar a vida e a luta pela vida, que
continua a cada dia, até que ninguém mais seja crucificado.
Todos: Que haja vida nas Escolas Lourdes Campos e Márcio Caulino
Diretor: Da mesma forma que há dois mil anos o Cristo foi traído,
criticado, hostilizado, julgado e condenado, continuamos a cometer
atrocidades semelhantes contra o nosso Cristo Interior e contra o
Cristo em nossos semelhantes
A crucificação do Cristo Interior acontece sempre que confiamos no
mundo exterior, ou seja, no dinheiro, remédios, oráculos e toda sorte
de absurdos. Acontece quando nos esquecemos do poder total e único do
nosso Cristo Interior
Ao deixarmos de confiar na vida, acreditamos que: “eu não sou, eu não
tenho, eu não posso, eu estou doente etc”, assim retirando o poder da
Divindade que somos, que é saúde plena e a fonte de toda sabedoria,
riqueza e abundância, que é Senhor do nosso mundo, nosso mestre
interior, o nosso guia.
Cada pensamento de separatividade, de desamor, cada palavra de crítica
ou julgamento é um espinho que fincamos na cabeça do Cristo em nossos
semelhantes. Cada pensamento ou palavra de desconfiança ou condenação
que emitimos contra alguém é mais um prego crucificando o Cristo
naquela pessoa.
E nosso desejo que neste Domingo de Páscoa, todos podemos desfrutar
da VIDA e o bem que ela nos traz e na plena consciência de “Eu Sou a
Ressurreição e a Vida”.
Fé liz páscoa!!! Feliz VIDA!
quinta-feira, 14 de abril de 2011
domingo, 20 de março de 2011
O professor não é o profissional capacitado para lidar com a violência. Isso, deixa para P.M que está treinada para lidar com infratores, marginais e qualquer tipo de escória. É uma grande hipocrisia falar que Professor tem que enfrentar violência. Chega! o mundo lá fora não quer passar a mão em "violentos", vamos deixar de lenga lenga, e parar de transformar o professor num grande palhaço e a escola num grande circo. A escola é e faz parte da vida de qualquer cidadão. Quer ele esteja num banco escolar ou não. Por isso, não vamos confundir demagogia com vida real. A escola não é lugar agradável. É lugar de preparo para o presente. Professor não tem que ser pai de aluno. Ele tem que cumprir seu dever e seguir seu caminho. O problema da violência é um desafio social sem disciplina não teremos respeito por ninguém. Não cabe a escola resolver esse desafio só. E muito menos o professor. Temos que tomar providências para que mais tarde não façam do professor além de sacerdote, como muitos dizem, policial. Não ganhamos para isso. O administrador cuida da administração de uma empresa, o servente da limpeza, o policial da segurança, o psicólogo da integridade da mente, porque o professor tem de cuidar além da instrução que lhe é dever, também, do aluno, do seu problema de aprendizagem, do seu problema particular, do seu problema familíar, do seu .... Quantos problemas! O ditado nos diz: cada macaco no seu galho. Devemos alertar nosso aluno para os tipos de violência que nos acometem no nosso dia a dia. Como: aumentos abusivos, roubos, assaltos, violência contra menores, mulheres, etc... Agora enfrentar de frente a violência é demais. A paz não é possível contudo, momentos de tranquilidade são aceitos. A democrácia não é possível contudo, não haveria leis. É impossível querer fazer com que a escola seja o melhor lugar do mundo. Sabe por que? Por que lidamos com pessoas. O que é bom pra mim não é bom pra ti. Por isso, sejamos mais pés no chão. Façamos o que podemos e sabemos.
transcrição de um comentário
Ser entusiasmado é uma característica de poucas pessoas, porém, como temos o poder de mudança, creio que muitas outras possam adquirir esta característica, em face da necessidade de, como professores, passar à nossos alunos perspectivas de dias melhores. Pesquisando em inúmeros sites sobre o tema, a fim de tentar superar a violência, que sozinhos, não conseguiremos, transcrevo parte do texto que achei interessante. Entusiasmo é acreditar na nossa capacidade de fazer as coisas acontecerem, de darem certo, de transformar a natureza e as pessoas. Não espere ter as condições ideais para se entusiasmar. Nós é que temos que transformar a nossa vida numa Vida Entusiástica. Não é a realidade da vida que tem que nos entusiasmar, nós é que temos que entusiasmar a realidade da nossa vida! Nós é que temos que entusiasmar nossas idéias... DICAS para se viver entusiasticamente. Vamos lá! 1- Afaste-se das pessoas e dos fatos negadores e negativos (sem explicações); 2- Acredite nos seus "insights" positivos. 3 - Não reclame constantemente. 4- Cultive a alegria e o bom humor... Aprenda a sorrir! Terapia do Riso : Habituar-se a sorrir, a achar graça de si mesmo. O sorriso tem um efeito poderoso em nossa vida; as pessoas que zombam dos próprios erros, são mais felizes e mais fortes. 5- Ilumine seu ambiente de trabalho e da sua casa. A escuridão traz a depressão! 6- Seja alguém disposto a colaborar com os outros. Sempre ache uma maneira de participar! Interesse-se pelas pessoas à sua volta! 7 - Surpreenda as pessoas com "momentos mágicos". Contagie os outros... 8 - Faça tudo com sentimento de perfeição. Faça as coisas com vontade de fazer, não faça nada pela metade, faça com desejo de acertar e de criar o mais correto possível! 10 - Aja prontamente. Faça agora! "DO IT NOW". Não postergue, não deixe para amanhã. Quando tiver alguma coisa para fazer, faça imediatamente. Descubra o entusiasmo na Vida! Seja capaz de transformar as coisas e fazê-las acontecer.
sexta-feira, 18 de março de 2011
SOS Professor.
Não tenho milhares de leitores. Tenho alguns.
Mas este número já é o suficiente para que eu me sinta responsável pelo que escrevo.
E, por isso, peço desculpas pelo que escrevo ultimamente, pois sinto-me numa fase obscura, desanimadora.
Terei em breve coisas boas pra contar, advindas de um trabalho que estamos fazendo na escola de São Paulo. Nem tudo são espinhos. (nada nada nada nada nada a ver com as mirabolantes idéias da Secretaria de Educação).
Mas meu sentimento agora é de frustração, desânimo e depressão.
Não só pelo trabalho nas escolas – seria injusto apenas culpá-los. Mas como não quero fazer análise de vida pessoal aqui, paro de lamentar.
Vamos ao tema principal do artigo.
O fato é que minha vida deu uma pernada pro ar e minha cabeça não sabe por onde anda… o que acaba refletindo em minha vida profissional, nas escolas.
Hoje discuti com dois alunos de uma turma que não é minha.
Estava uma zona, eu saía de uma turma e entrava em outra, metade de uma foi pro corredor, metade da outra estava em pé discutindo com outros alunos que estavam no recreio do lado de fora da janela da sala e, neste meio do inferno, pelo corredor vêm outros desta outra turma para junto de Dante.
Entendeu? É assim mesmo que estava a coisa.
Pedi que voltassem. Enfrentaram-me: “você não é professora da minha turma!!”, coisa e tal, nariz pra cima, cara de não te obedeço. E tentaram continuar.
À medida que fui levando-os para mais longe e que foram se exaltando comigo também o fui com eles.
Explodi.
Até palavrão – que devo confessar envergonhada estarem se tornando recorrentes em minha boca – saiu.
Diretora; o professor da turma; a coordenadora…
Fui à sala delas. Conversamos. Pedi desculpas aos alunos – por mim mesmo, não precisaram me dizer para fazê-lo. Sei que errei… mas às vezes não é fácil controlar.
No fim de tudo, no ônibus, conversando com um colega, soube que um dos alunos faz tratamento prascabeça; toma, inclusive, remédio receitado.
Mas, detalhe: a mãe achou que ele estava melhorando e… parou de dar o remédio. Simples assim.
Acho que eu que tô precisando…
Mas este número já é o suficiente para que eu me sinta responsável pelo que escrevo.
E, por isso, peço desculpas pelo que escrevo ultimamente, pois sinto-me numa fase obscura, desanimadora.
Terei em breve coisas boas pra contar, advindas de um trabalho que estamos fazendo na escola de São Paulo. Nem tudo são espinhos. (nada nada nada nada nada a ver com as mirabolantes idéias da Secretaria de Educação).
Mas meu sentimento agora é de frustração, desânimo e depressão.
Não só pelo trabalho nas escolas – seria injusto apenas culpá-los. Mas como não quero fazer análise de vida pessoal aqui, paro de lamentar.
Vamos ao tema principal do artigo.
O fato é que minha vida deu uma pernada pro ar e minha cabeça não sabe por onde anda… o que acaba refletindo em minha vida profissional, nas escolas.
Hoje discuti com dois alunos de uma turma que não é minha.
Estava uma zona, eu saía de uma turma e entrava em outra, metade de uma foi pro corredor, metade da outra estava em pé discutindo com outros alunos que estavam no recreio do lado de fora da janela da sala e, neste meio do inferno, pelo corredor vêm outros desta outra turma para junto de Dante.
Entendeu? É assim mesmo que estava a coisa.
Pedi que voltassem. Enfrentaram-me: “você não é professora da minha turma!!”, coisa e tal, nariz pra cima, cara de não te obedeço. E tentaram continuar.
À medida que fui levando-os para mais longe e que foram se exaltando comigo também o fui com eles.
Explodi.
Até palavrão – que devo confessar envergonhada estarem se tornando recorrentes em minha boca – saiu.
Diretora; o professor da turma; a coordenadora…
Fui à sala delas. Conversamos. Pedi desculpas aos alunos – por mim mesmo, não precisaram me dizer para fazê-lo. Sei que errei… mas às vezes não é fácil controlar.
No fim de tudo, no ônibus, conversando com um colega, soube que um dos alunos faz tratamento prascabeça; toma, inclusive, remédio receitado.
Mas, detalhe: a mãe achou que ele estava melhorando e… parou de dar o remédio. Simples assim.
Acho que eu que tô precisando…
SOS Professor.
Entrei, sentei na minha mesa e fiquei calada.
Fiquei só ouvindo.
Fiquei alguns minutos ouvindo.
Quatro alunos e uma aluna, sentados perto uns dos outros.
Quase trinta minutos de implicâncias e xingamentos e ameaças e apelidações.
“Cala boca sapo!”
“Vou te dizer uma coisa: vc fede!”
“Cheia de béri-béri!”
“Você mora na favela”
“Moro no condomínio!”
“Ah ah ah, condomínio, aquilo é favela!”
“Olha a calça dela, já anda sozinha!”
“Amanhã venho com outra calça”
“Ela vai achar outra na lixeira”
“Leite azedo, leito podre” (para um branco)
“Assolan!!!” (para uma negra)
“Jonatas é igual àquele chocolate feioso”
“Ele é branco, não é preto”
“Cala sua boca, você tá com a gripe suína e tá escondendo de todo mundo aí!”
Me levantei, peguei o livro, copiei umas frases no quadro.
Entre pegar o caderno e olhar o quadro para copiar, eles deram uma pausa.
Aí entrei e falei, argumentei, mostrei, professorei.
“Vocês não perceberam… blá, blá, blá… 25 minutos se xingando… blá, blá, blá… nem uma conversa sobre nada… blá, blá, blá… só ficaram falando mal uns dos outros… blá, blá, blá… não falam de futebol, nem de novela, nem de namoro, nem de nada, só se sacaneiam… blá, blá, blá…”
Me olharam por alguns segundos.
“Ele que começou!”
“Eu nada, sua preta fedida!”
“Foi sim seu queijo branco estragado!”
“Tua mãe que é!”
Cheguei hoje cedo na escola . Deu tempo de almoçar.
No almoço, entro no meio da conversa entre duas professoras, duas das boas professoras da escola, por sinal.
Falavam da problemática de uma turma do 6o ano – ou 5a série – que foi montada para ser de “alfabetização”.
Sim, isso mesmo que vocês ouviram… aproveitaram uma turma que tinha extrema dificuldade, juntaram mais alguns alunos de outras turmas que também o tinham, e fizeram uma turma para desenvolver um trabalho especial, pois eles são analfabetos… no 6o ano.
Esses alunos não sabem ler uma sílaba, sem exagero.
Eles os juntaram para que pudesse trabalhar, todos os professores, a alfabetização desses alunos.
Estavam elas dizendo que há professores, no entanto, que também têm dificuldades com isso… não compreendem que eles não sabem ler. Colocam um texto enorme no quadro, os fazem copiar e acham que eles entenderam.
Não, não entenderam. Simplesmente copiaram.
Os outros professores trabalham palavras, frases simples, muita leitura (quando conseguem), etc.
Dizia uma delas que escreveu, por exemplo, “espaço” no quadro (professora de Geografia)
O aluno foi com o caderno à sua mesa e ela pediu pra ele ler o que escreveu.
- “ba-bi…” – respondeu ele.
Sem comentários...
Fiquei só ouvindo.
Fiquei alguns minutos ouvindo.
Quatro alunos e uma aluna, sentados perto uns dos outros.
Quase trinta minutos de implicâncias e xingamentos e ameaças e apelidações.
“Cala boca sapo!”
“Vou te dizer uma coisa: vc fede!”
“Cheia de béri-béri!”
“Você mora na favela”
“Moro no condomínio!”
“Ah ah ah, condomínio, aquilo é favela!”
“Olha a calça dela, já anda sozinha!”
“Amanhã venho com outra calça”
“Ela vai achar outra na lixeira”
“Leite azedo, leito podre” (para um branco)
“Assolan!!!” (para uma negra)
“Jonatas é igual àquele chocolate feioso”
“Ele é branco, não é preto”
“Cala sua boca, você tá com a gripe suína e tá escondendo de todo mundo aí!”
Me levantei, peguei o livro, copiei umas frases no quadro.
Entre pegar o caderno e olhar o quadro para copiar, eles deram uma pausa.
Aí entrei e falei, argumentei, mostrei, professorei.
“Vocês não perceberam… blá, blá, blá… 25 minutos se xingando… blá, blá, blá… nem uma conversa sobre nada… blá, blá, blá… só ficaram falando mal uns dos outros… blá, blá, blá… não falam de futebol, nem de novela, nem de namoro, nem de nada, só se sacaneiam… blá, blá, blá…”
Me olharam por alguns segundos.
“Ele que começou!”
“Eu nada, sua preta fedida!”
“Foi sim seu queijo branco estragado!”
“Tua mãe que é!”
Cheguei hoje cedo na escola . Deu tempo de almoçar.
No almoço, entro no meio da conversa entre duas professoras, duas das boas professoras da escola, por sinal.
Falavam da problemática de uma turma do 6o ano – ou 5a série – que foi montada para ser de “alfabetização”.
Sim, isso mesmo que vocês ouviram… aproveitaram uma turma que tinha extrema dificuldade, juntaram mais alguns alunos de outras turmas que também o tinham, e fizeram uma turma para desenvolver um trabalho especial, pois eles são analfabetos… no 6o ano.
Esses alunos não sabem ler uma sílaba, sem exagero.
Eles os juntaram para que pudesse trabalhar, todos os professores, a alfabetização desses alunos.
Estavam elas dizendo que há professores, no entanto, que também têm dificuldades com isso… não compreendem que eles não sabem ler. Colocam um texto enorme no quadro, os fazem copiar e acham que eles entenderam.
Não, não entenderam. Simplesmente copiaram.
Os outros professores trabalham palavras, frases simples, muita leitura (quando conseguem), etc.
Dizia uma delas que escreveu, por exemplo, “espaço” no quadro (professora de Geografia)
O aluno foi com o caderno à sua mesa e ela pediu pra ele ler o que escreveu.
- “ba-bi…” – respondeu ele.
Sem comentários...
SOS Professor.
Sento à minha mesa, são15:00 h.
Estou sem forças e sem motivação nenhuma para pedir para dar aulas. Sim, eu tenho que pedir, por favor, e pelo amor de Deus pra dar aulas, se quiser fazê-lo. Eu teria que levantar gritar, pedir silêncio, gritar, mandar sentar, me aborrecer, gritar, tirar alguém de sala… Só assim teria o mínimo do mínimo para fazer qualquer coisa.
Mas não tenho motivação nem vontade de me aborrecer pra dar aulas.
Eles continuam, às quinze horas e dez minutos , absolutamente como se eu não estivesse aqui.
Neste momento têm seis alunos em pé.
Há uns vinte falando ao mesmo tempo e, como não se ouvem, falam mais e mais alto.
Um deles batuca com a bala halls na mesa, cantando um funk.
Outros três olham pela janela.
Outro grita palavras de baixo calão para a colega.
Outros dois dormem, de cabeça baixa.
Folhas são arrancadas e jogadas displicentemente para frente, em direção à lixeira, sem acertá-la. Mas não as pegam, ficam no chão. Ao menos é um avanço: não estão jogando-as, agora, nos outros.
Uma aluna grita pela janela, falando com alguém na rua.
Outra joga um pedaço de plástico pela janela.
São 15:30. É como se eu não estivesse aqui.
Um faz um sinal feio para o colega de fora da sala.
Outro me pede “Professor, não dá aula hoje não!” – como se precisasse pedir…
Agora há somente uns dez falando ao mesmo tempo.
Uns seis chupam pirulito, cujos papéis de embrulho e palitinhos vão para o chão, invariavelmente.
No início da aula havia um aluno com uma bolinha de papel na mão, jogando–a para o alto e pegando-a novamente. Para evitar um míssel, pedi a bolinha e joguei-a no lixo. Agora ele está com outra, fazendo o mesmo.
Contei trinta crianças em ebulição em sala.
Eles não têm vontade.
Eu tenho uma sala de trinta metros quadrados com quarenta e cinco carteiras carteiras, trinta alunos, o meu livro de professor e um quadro.
A janela da sala dá pra frente da rua, onde passam caminhões barulhentos e onde há pessoas que mexem com os de dentro e eles mexem com os de fora.
Estou só aqui dentro.
Daniel na cova dos leões.
Me levanto e grito pra fazer silêncio?
Mesmo que fizesse, silêncio mesmo não haverá, por conta do barulho da rua.
Me levanto e digo que estou aqui? Não… acho que eles sabem.
Tento “dar aula”?
Antes de eu tentar levantar, ouço um CARALHOOOOO! bem alto, vindo do meio da sala.
Desisto de tentar dizer a eles qur preciso dar a aula.Um joga água na colega. A colega revida.
Mais bolas voam ao chão.
Uma aluna dá chutes em outro aluno.
Um aluno “rouba” o caderno de outra, que sai correndo para pegar, passando por cima de mais um.
São quinze horas e trinta minutos e têm doze alunos em pé, em uma sala de trinta metros quadrados contendo trinta alunos alunos.
Falam alto, gritam pela janela, batem uns nos outros, gritam, jogam bolinhas de papel, dão socos e recebem tapas, dão puxões de cabelos nas meninas, fazem queda-de-braço, batucam nas carteiras.
Eu penso que, com estas condições, nunca atingirei o índice que nossa santidade a secretária quer que atinjamos para nos “PREMIAR”.
De qualquer forma, eu não ganharei mesmo, por conta do problema de saúde que tive no início do ano – por conta desta mesma escola. Então...desisto de dar aulas........
Estas são as condições que vivenciam diariamente diversos professores da rede pública, e o que os pais, os governantes, enfim, a justiça pensa fazer para ajudar esta classe que está tão desanimada com tudo? O que você faria?
Estou sem forças e sem motivação nenhuma para pedir para dar aulas. Sim, eu tenho que pedir, por favor, e pelo amor de Deus pra dar aulas, se quiser fazê-lo. Eu teria que levantar gritar, pedir silêncio, gritar, mandar sentar, me aborrecer, gritar, tirar alguém de sala… Só assim teria o mínimo do mínimo para fazer qualquer coisa.
Mas não tenho motivação nem vontade de me aborrecer pra dar aulas.
Eles continuam, às quinze horas e dez minutos , absolutamente como se eu não estivesse aqui.
Neste momento têm seis alunos em pé.
Há uns vinte falando ao mesmo tempo e, como não se ouvem, falam mais e mais alto.
Um deles batuca com a bala halls na mesa, cantando um funk.
Outros três olham pela janela.
Outro grita palavras de baixo calão para a colega.
Outros dois dormem, de cabeça baixa.
Folhas são arrancadas e jogadas displicentemente para frente, em direção à lixeira, sem acertá-la. Mas não as pegam, ficam no chão. Ao menos é um avanço: não estão jogando-as, agora, nos outros.
Uma aluna grita pela janela, falando com alguém na rua.
Outra joga um pedaço de plástico pela janela.
São 15:30. É como se eu não estivesse aqui.
Um faz um sinal feio para o colega de fora da sala.
Outro me pede “Professor, não dá aula hoje não!” – como se precisasse pedir…
Agora há somente uns dez falando ao mesmo tempo.
Uns seis chupam pirulito, cujos papéis de embrulho e palitinhos vão para o chão, invariavelmente.
No início da aula havia um aluno com uma bolinha de papel na mão, jogando–a para o alto e pegando-a novamente. Para evitar um míssel, pedi a bolinha e joguei-a no lixo. Agora ele está com outra, fazendo o mesmo.
Contei trinta crianças em ebulição em sala.
Eles não têm vontade.
Eu tenho uma sala de trinta metros quadrados com quarenta e cinco carteiras carteiras, trinta alunos, o meu livro de professor e um quadro.
A janela da sala dá pra frente da rua, onde passam caminhões barulhentos e onde há pessoas que mexem com os de dentro e eles mexem com os de fora.
Estou só aqui dentro.
Daniel na cova dos leões.
Me levanto e grito pra fazer silêncio?
Mesmo que fizesse, silêncio mesmo não haverá, por conta do barulho da rua.
Me levanto e digo que estou aqui? Não… acho que eles sabem.
Tento “dar aula”?
Antes de eu tentar levantar, ouço um CARALHOOOOO! bem alto, vindo do meio da sala.
Desisto de tentar dizer a eles qur preciso dar a aula.Um joga água na colega. A colega revida.
Mais bolas voam ao chão.
Uma aluna dá chutes em outro aluno.
Um aluno “rouba” o caderno de outra, que sai correndo para pegar, passando por cima de mais um.
São quinze horas e trinta minutos e têm doze alunos em pé, em uma sala de trinta metros quadrados contendo trinta alunos alunos.
Falam alto, gritam pela janela, batem uns nos outros, gritam, jogam bolinhas de papel, dão socos e recebem tapas, dão puxões de cabelos nas meninas, fazem queda-de-braço, batucam nas carteiras.
Eu penso que, com estas condições, nunca atingirei o índice que nossa santidade a secretária quer que atinjamos para nos “PREMIAR”.
De qualquer forma, eu não ganharei mesmo, por conta do problema de saúde que tive no início do ano – por conta desta mesma escola. Então...desisto de dar aulas........
Estas são as condições que vivenciam diariamente diversos professores da rede pública, e o que os pais, os governantes, enfim, a justiça pensa fazer para ajudar esta classe que está tão desanimada com tudo? O que você faria?
terça-feira, 15 de março de 2011
O QUE FUNCIONA NA ALFABETIZAÇÃO
O que funciona na alfabetização?
O que se ensina quando se ensina a ler e escrever?
A plena inserção no mundo da escrita, envolve pelo menos três complexas dimensões que se articulam e que se complementam: uma dimensão lingüística (a conversão da oralidade em escrita); uma dimensão cognitiva (as atividades da mente em interação tanto com o sistema de escrita, no processo de aquisição do código, quanto com o texto em sua integridade, no processo de produção de significado e sentido); uma dimensão sociocultural (a adequação das atividades de leitura e escrita aos diferentes eventos e práticas em que essas atividades são exercidas).
A complexidade do processo gera divergências sobre o qual deve ser o objeto da alfabetização. Há os que consideram que o objeto é o processo lingüístico e cognitivo de aquisição da tecnologia da escrita, domínio dos sistemas alfabético e ortográfico de escrita, e das convenções que governam o uso desses sistemas. Há também os que consideram que, sendo a finalidade da leitura e da escrita a construção de significados e sentidos dos materiais escritos que circulam em práticas socioculturais, o objeto da aprendizagem da língua escrita é, desde o seu primeiro momento, a compreensão, na leitura, e a utilização, na escrita, de numerosos e variados gêneros e portadores de textos, vivenciados em diferentes contextos, visando a diferentes objetivos e diferentes destinatários. Finalmente, há os que, julgando incoveniente e mesmo impossível fragmentar um processo cujos componentes são inter-relacionados e interconectados, consideram que o objeto da alfabetização é a língua escrita em sua inteireza, envolvendo todas as dimensões e todos os seus componentes.
Naturalmente, as divergências quanto ao objeto da alfabetização - o que se ensina a ler e escrever - determinam as divergências quanto aos métodos de alfabetização - como se deve ensinar a ler e a escrever - e, conseqüentemente, divergências quanto aos resultados da alfabetização - o que funciona na alfabetização.
Fonte Magda Soares, Revista Pátio ago/out 2008
O que se ensina quando se ensina a ler e escrever?
A plena inserção no mundo da escrita, envolve pelo menos três complexas dimensões que se articulam e que se complementam: uma dimensão lingüística (a conversão da oralidade em escrita); uma dimensão cognitiva (as atividades da mente em interação tanto com o sistema de escrita, no processo de aquisição do código, quanto com o texto em sua integridade, no processo de produção de significado e sentido); uma dimensão sociocultural (a adequação das atividades de leitura e escrita aos diferentes eventos e práticas em que essas atividades são exercidas).
A complexidade do processo gera divergências sobre o qual deve ser o objeto da alfabetização. Há os que consideram que o objeto é o processo lingüístico e cognitivo de aquisição da tecnologia da escrita, domínio dos sistemas alfabético e ortográfico de escrita, e das convenções que governam o uso desses sistemas. Há também os que consideram que, sendo a finalidade da leitura e da escrita a construção de significados e sentidos dos materiais escritos que circulam em práticas socioculturais, o objeto da aprendizagem da língua escrita é, desde o seu primeiro momento, a compreensão, na leitura, e a utilização, na escrita, de numerosos e variados gêneros e portadores de textos, vivenciados em diferentes contextos, visando a diferentes objetivos e diferentes destinatários. Finalmente, há os que, julgando incoveniente e mesmo impossível fragmentar um processo cujos componentes são inter-relacionados e interconectados, consideram que o objeto da alfabetização é a língua escrita em sua inteireza, envolvendo todas as dimensões e todos os seus componentes.
Naturalmente, as divergências quanto ao objeto da alfabetização - o que se ensina a ler e escrever - determinam as divergências quanto aos métodos de alfabetização - como se deve ensinar a ler e a escrever - e, conseqüentemente, divergências quanto aos resultados da alfabetização - o que funciona na alfabetização.
Fonte Magda Soares, Revista Pátio ago/out 2008
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